Reportagem: evolução e criacionismo mais de 150 anos depois de Darwin

A teoria da evolução de Charles Darwin é um marco na história da ciência e, após avanços ao longo do tempo, unificou as diferentes áreas das Ciências Biológicas. Desde a publicação de A Origem das Espécies por Darwin, há mais de 150 anos, há conflitos entre defensores da teoria evolutiva e do criacionismo.

Em reportagem do site Gizmodo Brasil publicada em 12 de fevereiro de 2021 – aniversário de Darwin -, o professor da UERJ Luís Dorvillé, membro do Diversias, fala sobre o relacionamento entre evolução e criacionismo e dos desafios para o ensino de Biologia na educação básica e superior:

A gente corre um perigo muito grande permitindo que o criacionismo entre na sala de aula adotando esse tipo de postura. São absurdos que cada vez mais estão avançando. Todo mundo no dia de hoje precisa adquirir uma linguagem em algum grau mínimo para entender o mundo à sua volta. Uma dessas linguagens é a linguagem científica. A gente não ensina ciência para formar uma legião de futuros cientistas apenas, mas fundamentalmente para que as pessoas tenham acesso a uma chave de leitura do mundo, a uma linguagem que lhes permita interpretar o mundo de uma determinada forma. Ensinar o criacionismo como se fosse ciência é negar aos alunos a possibilidade de aquisição dessa chave de leitura.

Confira a reportagem completa no site da Gizmodo Brasil

Como as/os professoras/es de Ciências e Biologia estão trabalhando na pandemia?

Por Pedro Teixeira

A pandemia afetou profundamente a educação básica no mundo inteiro. Como as/os professoras/es de Ciências e Biologia estão trabalhando nesse contexto? Buscando respostas, a Regional 2 da Associação Brasileira de Ensino de Biologia (SBEnBio) realizou uma pesquisa com docentes dessas disciplinas. O coordenador do Diversias, Pedro Teixeira, é conselheiro da Regional 2 da SBEnBio e participou da elaboração do estudo. Juntamente com Rodrigo Borba, secretário da regional e professor da UEMG, discutiu os principais resultados em uma live, que você pode conferir abaixo. A pesquisa foi publicada na forma de artigo, em co-autoria – além de Rodrigo e Pedro – com Karine Fernandes (UFF), Maína Bertagna (UFF), Cristiana Valença (CEFET-RJ) e Lúcia Pralon (Uni-Rio), na Revista de Ensino de Biologia da SBEnBio, que pode ser acessado aqui.

Por que ensinar temas controversos?

Por Pedro Teixeira

O Diversias se dedica, principalmente, a pesquisar sobre o ensino de controvérsias e sobre as controvérsias que ocorrem no cotidiano escolar. Embora não haja um consenso em como definir um tema controverso, muitos autores destacam que se tratam de questões abertas, sem uma resposta clara e com diferentes partes e pontos de vista envolvidos.

Em geral, são temas que despertam grande interesse de estudantes. Contudo, geram também grande receio entre professoras e professores, porque podem criar discussões acaloradas em sala de aula, produzir tensões com a comunidade escolar e, em alguns casos, até mesmo gerar processos judiciais.

Por que, então, ensinar temas controversos? Não seria melhor deixar de lado esses assuntos ao planejar os conteúdos a ensinar?

Diana Hess, professora da Universidade de Wisconsin-Maddison (EUA) e uma das principais pesquisadoras da área, defende que a discussão desses temas é fundamental para a saúde das democracias. Além disso, a escola é um dos poucos espaços em que jovens podem se encontrar com outras pessoas que pensam de forma diferente deles para discutir um assunto específico, com a mediação de uma pessoa com formação específica e mais conhecimento (o/a professor/a). A autora reconhece, entretanto, que essa não é tarefa fácil para os docentes, já que envolve uma série de definições complexas: quais assuntos serão tratados como controversos? Deve se priorizar um determinado posicionamento ou a questão será tratada como totalmente aberta? O professor deve revelar sua opinião ou não? O assunto pode ser mais sensível para alguns alunos (como minorias, por exemplo)?

Não é possível responder todas essas perguntas de forma tranquila e sem assumir determinados posicionamentos. Mas podemos pensar em justificativas para essas escolhas e em estratégias pedagógicas que sejam coerentes com elas.

Em nosso Blog vamos explorar essas temáticas e outras, com textos de autoria de diferentes pesquisadores do Diversias. Acompanhem a gente por aqui!

Para saber mais:

TEIXEIRA, Pedro. As relações entre diversidade e a discussão de temas controversos: desafios atuais para a escola. Revista E-Curriculum (PUCSP), v. 16, p. 494, 2018.https://revistas.pucsp.br/index.php/curriculum/article/view/33453